autocrítica feminista e bell hooks

autocrítica feminista e bell hooks

Gloria Jean Watkins, mais conhecida como bell hooks, é uma importante teórica feminista e autora afro-americana. O pseudônimo é uma homenagem à avó materna e para justificar a grafia em minúsculo a escritora diz que o mais importante em meus livros é a substância e não quem sou eu”.

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Um dos livros mais populares de bell (Feminism is for Everybody) foi publicado no Brasil, em 2018, pela Editora Rosa dos Tempos, com tradução de Ana Luiza Libânio e título “O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras”.

A motivação da autora para escrever a obra veio do seu desejo de ver as discussões e práticas feministas saírem da academia e alcançarem o grande público. É uma leitura bastante acessível que passa por pontos importantes do feminismo e deixa claro a todo momento que o feminismo é um movimento para acabar com o sexismo (exploração sexista e opressão), racismo, elitismo e imperialismo. Não é um movimento anti-homem. É um movimento que inclusive, na visão da autora, depende também dos homens para alcançar seus objetivos.

hooks acredita que a luta feminista só terá sucesso se todas as pessoas se aproximarem do feminismo. Afinal todos nós fomos criados na cultura sexista e socializados para acreditar que há coisas de menino e coisas de menina. Assim como também vivemos numa sociedade em que ter poder sobre o outro é a base de todas as relações.

No capítulo “Conscientização: uma constante mudança de opinião”, bell hooks diz que a mulher não nasce feminista, ela se torna feminista. E traz uma frase muito marcante: “É necessário transformar o inimigo interno antes que possamos confrontar o inimigo externo.”

A citação me fez pensar em uma premissa básica de sobrevivência: antes de querer mudar o mundo, temos que mudar a nós mesmos. Na perspectiva feminista, antes de querer acabar com o patriarcado, é necessário mudar a nós mesmas.

Esse é um processo de autocrítica. Um processo que cada dia tento dar um passo para desconstruir pensamentos e atitudes na minha vida. Fazer uma autocrítica política feminista é pensar a vida a partir do que me marca socialmente – gênero, raça e classe. Pensar até onde eu posso ir por causa desses marcadores sociais e questionar se eles me impedem de ir além. E, claro, não aceitar o que foi naturalizado para mim por causa de gênero, raça e classe.

Autocrítica também é ter consciência dos padrões sexistas e racistas que eu dissemino no meu dia a dia. É reconhecê-los e mudá-los para uma visão feminista. Fazer essa autoavaliação é libertador. Nos livramos de preconceitos, olhamos o outro com mais afeto e amor, e também olhamos a nós mesmos com mais liberdade.

Mas como fazer essa autocrítica?

Outras premissas básicas de sobrevivência: se tem dúvida, pergunte. Se não sabe, procure saber.

Na dúvida, estude, leia, veja um documentário, assista uma palestra, converse com gente que vive em condição diferente da sua e escute essas pessoas. Saia um pouco também da superfície das redes sociais, vá além das notícias que circulam nas mensagens encaminhadas por WhatsApp.

Saia do seu mundo e olhe o mundo lá fora. Se informe e se conscientize.  

Tem funcionado por aqui!

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Publicado porJeniffer Geraldine

Jornalista. Uma leitora apaixonada por arte, cultura e a vida.

2 Comentários

  • Ana Lina

    22/03/2019 at 10:36 Responder

    Queria ler esse livro e com sua publicação agora terei a certeza de que tenho que fazer esta leitura o mais breve possível.Obrigada

    • Jeniffer Geraldine

      27/03/2019 at 18:11 Responder

      É muito bom ler bell hooks.
      boa leitura!
      bjão

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