Posts por Marcello Alves

Era Uma Vez Na Infância

Lá no reino das formigas…

Numa noite linda, no palácio da rainha,

todo iluminado, cheio de vagalumes.

Minha lista de leitura, até antes de entrar no universo acadêmico, se resumi a não mais que meia dúzia de livros da coleção Vaga-lume (eu sei; quis dar uma pista da minha idade – risos), Meu Pé de Laranja Lima, alguns gibis da Turma da Mônica e do Recruta Zero e Um Burrinho de Sorte. Este eu posso dizer que, de alguma (ou várias) maneira(s), marcou a minha vida. Talvez por ter sido o primeiro, que tenho lembrança. Talvez por ter vindo de muito longe. Talvez por ter sido presente de alguém – que de certa forma é – especial, ainda que nunca tenhamos nos conhecido pessoalmente. Talvez por trazer várias historinhas. Talvez, talvez, talvez… Leia mais

Baladas para violão de cinco cordas – Léo Prudêncio

(…)

agora tem chovido excessivamente ao final da tarde

é por isso que eu ouço aquelas velhas canções de roque

(dos anos 60)

e em cada acorde ouço velhas

rebeldias de jovens (hoje idosos)

Poesia é pura magia.

Assim como o poeta escritor precisa se encontrar com sua alma criadora (inspiração), o poeta leitor necessita de um momento propício para transformar o poema em poesia… Criando, assim, uma sintonia/harmonia entre os poetas. Para se deliciar da poesia é imprescindível captar a essência da alma do poeta. Leia mais

Conexión… ¡Te quiero Argentina!

Determinar porque se está no lugar onde se encontra e fazendo as coisas que faz só deve ser fácil para aquele que sempre soube o que queria ser, se é que este ser humano existe.

(Manuel Diaz1)

PhotoGrid_1435148310474

A finitude e imperfeição do ser humano se configuram na força motriz que o faz estar em constante situação de inquietação, buscas, descobertas… A priori, esse impulso/desejo visa tão somente satisfazer os anelos do nosso ego. Saciar os instintos primários. Enfrentar os medos. Transpor limites e barreiras… Desafiar o desafio… Transgredir!

É querer ir para aonde não nos é permitido ou simplesmente fazer o que é proibido – tal qual, quando por volta de pouco mais de um ano de idade, somos tentados a colocar o dedo nas tomadas.

Assim, viajar, ou correr mundo a fora – como se costuma dizer no popular –, torna-se um dos primeiros anseios de muitas pessoas. A busca pela sensação de liberdade. O gozo por desbravar o até então desconhecido. A adrenalina de ir além dos limites, sejam eles físico ou psíquico-emocional. Não importa a distância. O valor real está no que o ato em si simboliza.

Sonhador por natureza, sempre desejei transpor os limites geofísicos das minhas redomas. Às vezes como roteiro de fuga, física e/ou emocional; outras, tão somente pelo prazer das possibilidades, devaneios e aventuras. E como bom sonhador, desbravei mares e oceanos, realizei safáris e desfrutei de cada uma das maravilhas espalhadas no velho continente. E, de andarilho a executivo, vivi de quase tudo um pouco. Tudo o que a imaginação pudesse alcançar… Mas as Américas, apesar de tão próximas, ainda permaneciam sombreadas [e bloqueadas] no meu mapa de escoteiro desbravador. Leia mais

[Diário de Leitura] Mentiras no Divã – Os sujeitos por trás dos profissionais

[…] Rick, de pé junto à porta, disse: – Então a implicação de Nietzsche para você é bem simples. Se esta organização real e sinceramente acredita que um terrível mal foi feito aos pacientes de Seth e se restou alguma integridade a esta organização, então existe um único curso aberto a você – isto é, se você quiser agir de maneira moral e legalmente responsável.

– E o que é? – Perguntou Weldon.

– Recall!

[…] Mas recall – disse Morris Fender –, por causa de interpretação errada?

– Não minimize uma questão séria, Morris – disse Marshal. – Existe alguma ferramenta analítica mais poderosa que a interpretação? E não estamos de acordo de que a formulação de Seth é, ao mesmo tempo, errada e perigosa?¹

De início quero pedir desculpas pela transcrição um pouco prolongada; mas esta se faz necessária para dar o tom à discussão que quero propor – fruto das reflexões que as mesmas provocaram em mim.

No decurso do capítulo sete, mais que um julgamento dos atos de um profissional da área de saúde mental, um emaranhado de questões éticas, concepções ideológicas e jogos de interesses são lançados à roda de discussões – o que provocou em mim as reflexões sobre o perfil, o caráter e a formação de algumas profissões, a saber: médicos, psicólogo/psicanalistas e professores. Leia mais

[Diário de leitura] “Mentiras no Divã” – L’chaim!

– Conte-me sobre isso, Justin. – Péssima técnica! Percebeu instantaneamente. Colocou de volta os óculos e anotou no seu bloco: “Erro – pedir informações – contratransferência?”¹

Cada vez mais ouvimos falar das doenças ou distúrbios psicoemocionais. Algumas delas, é bem verdade, são dignas de uma investigação, acompanhamento e tratamento por profissionais especialistas na área. Outras se constituem no que costumo chamar de mazelas da alma.

Stress e depressão tornam-se adjetivos corriqueiros nos status quo do individuo contemporâneo. Ao passo em que há uma desvalorização dos sentidos das palavras, há uma mercantilização das pseudo curas. Poderíamos dizer que vivemos a era da banalização do sentir. Leia mais

[Diário de leitura] “Mentiras no Divã” e as reflexões do meu “eu”

Já pensou sobre o fato de ser mais fácil fazer um diagnóstico na primeira vez que examinamos um paciente [um ser qualquer] e que fica mais difícil quando melhor o conhecemos?

A cada nova leitura, seja científica ou literária, que faço sobre a temática sinto-me estranhamente ainda mais atraído. Fascinado. Apaixonado. Aprisionado… Fisgado!

Mentiras no divã. Que presente maravilhoso. Não teria outro tempo que fosse melhor oportuno para sua leitura. Fascinante e envolvente desde suas primeiras linhas. Provocativo!

Já em suas primeiras páginas uma avalanche de anseios e reflexões se fizeram em paralelo a cada linha; a cada cenário; e a cada provocativa que a narrativa nos instiga. Fez-me pensar acerca do psicoterapeuta que há em mim. Do que pretendo ser. De como esse “eu” terapeuta se entrelaça com o educador que sou; as concepções que tenho; as verdades que defendo…

Assim, em meu divã particular, leio, devaneio e realizo minhas próprias autoanálises. Reflito sobre a vida, minha e de outrem. Lamento os meus prantos. Sofro as minhas dores. Saboreio do néctar das alegrias. Perambulo em minha errante vida; relembrando… revivendo… sonhando sonhos; amargurando o destino… Leia mais