Posts por Jeniffer Geraldine

Vícios solitários

Experimente organizar um dia inteiro para você. Não estou falando apenas de momentos de beleza e cuidados com o corpo, mas um momento de intimidade e sossego. Ir para cozinha e fazer algo especial pensando apenas no seu gosto, com bastante pimenta ou tempero. Escolher um vinho que não combina com a comida, mas é o preferido. Ouvir aquele CD brega que seus amigos não curtem, porém é um dos favoritos e te traz boas lembranças. Leia mais

A festa da insignificância – Milan Kundera

O tcheco, naturalizado francês, Milan Kundera, é conhecido principalmente por seu livro A insustentável leveza do ser (1983). Após mais de dez anos sem publicar um novo título, o autor lançou  A festa da insignificância (Companhia das Letras, 2014) em que conhecemos quatro amigos parisienses: Alain, Ramon, Charles e Calibã.

O livro é divido em sete partes e cada uma possui pequenos contos que aos poucos vão nos apresentando os amigos que possuem uma vida sem grandes acontecimentos. São pessoas comuns que podem passar despercebidas. São insignificantes para boa parte do mundo. Vamos conhecer, principalmente, os seus questionamentos e opiniões sobre vários temas, por exemplo o porquê de hoje as mulheres colocarem a barriga de fora e isso ser sex e erótico. Além disso, Kundera intercala o tempo e espaço, entre a Paris atual e a União Soviética do tempo de Stalin. Leia mais

Bonsai – Alejandro Zambra

Nós estamos acostumados a acompanhar o desenrolar de relacionamentos, aquela comédia romântica ou um romance “água com açúcar”. É bonito ver dois personagens se conhecerem e construírem juntos uma história de amor. Mas na vida as relações têm começo, meio e fim. E a vida imita a arte, a arte imita vida.

O chileno Alejandro Zambra em seu livro Bonsai (Cosac Naify), nos apresenta a história do fim do amor entre Julio e Emilia, dois estudantes de Letras. Logo no início Zambra deixa claro que ela morre e ele fica sozinho. Leia mais

Exorcismos, amores e uma dose de blues – Eric Novello

Eric Novello é um dos atuais entusiastas da literatura fantástica brasileira. Desde 2004, escreve contos e romances que misturam fantasia e realidade, além de organizar coleções sobre os temas. Exorcismos, amores e uma dose de blues (Editora Gutenberg, 2014), seu mais recente lançamento, é uma mistura de literatura noir, música, romance e, principalmente, um convite para descobrir e apreciar a literatura contemporânea do Brasil. Leia mais

Jardim de inverno – Kristin Hannah

Seguiu em frente. Ultimamente, esse parecia ser o melhor modo de lidar com as coisas.

“Seguir em frente” é o tipo de conselho que a gente escuta sempre que passa por um período turbulento na vida, seja ele de perda material ou emocional. É um conselho clichê, porém, às vezes, necessário. A gente segue, mas nem sempre esquece. O fantasma da lembrança sabe como nos assustar e nos aprisionar ao longo da vida. Só que tudo é uma questão de permissividade.

Jardim de Inverno, da escritora Kristin Hannah (Editora Novo Conceito), vai nos mostrar de que forma o fantasma da lembrança pode assombrar uma família durante anos, fazendo com que as escolhas do passado interfiram nos laços afetivos do presente. Leia mais

O Mágico de Oz – L. Frank Baum

Existem narrativas que são impossíveis de ler sem que um filme passe na cabeça ou sem aquela voz de tia que conta história para as crianças dormirem. O mágico de OZ do L. Frank Baum é uma delas.

Dorothy vivia no Kansas com sua tia Em e o tio Henry quando um ciclone atingiu a região levando a menina e a casa para um lugar distante, diferente, encantador e cheio de surpresas, a Terra de OZ – onde reinava um poderoso mágico que ninguém jamais vira, mas todos respeitavam e admiravam. Leia mais

Quarta-feira de cinzas

Nos conhecemos num domingo. Os bloquinhos passavam. As pessoas esbarravam. A rua estava movimentada. Não tinha como voltar sem tropeçar em alguém. Não tinha como ir sem enfrentar de frente as pessoas que vinham atrás da marchinha. E ali parado, esperando aquele tsunami de confetes e alegria passar, a gente se esbarrou. Esbarrou mesmo. Ele estava conversando com uma amiga. Eu estava de costas. Nós viramos ao mesmo tempo e como num filme, cara a cara, quase um beijo roubado acidentalmente pelo acaso.

Naquele curto espaço físico fomos obrigados a conviver com o encontro. Surgiram desculpas pelo esbarrão, sorrisos sem graça. E daquele choque entre nossos corpos algo soltou faísca. Do esbarrão para o beijo não durou muito mais que 30 segundos. Tudo aconteceu rápido, voraz e sedento. Leia mais

#LeiaBrasileiros 3 livros nacionais contemporâneos

Uma das minhas vontades literárias  é ler mais autores brasileiros contemporâneos. É fato que ainda há uma super valorização dos clássicos brasileiros – algo totalmente compreensível – mas tem muito livro bom sendo produzido no Brasil e que merece nossa atenção.

Desde que comecei a colocar em prática essa minha meta, já conheci seis novos escritores brasileiros: Marçal Aquino, Fernanda Torres, Maria Christina Monteiro de Lobato, Socorro Acioli, Raphael Montes e Eliane Brum. Separei  3 livros que mais gostei e super indico a leitura. São obras totalmente diferentes e cada uma se encaixa em um gênero literário. Leia mais

O detetive de Edgar Allan Poe

Sou fã do gênero policial e desde quando comecei a ver a série “Sherlock Holmes”, decidi ir a fundo no gênero. Assisto muito seriado, mas não tinha o hábito de ler livros do estilo.  Acabei criando uma meta: vou ler mais literatura policial!

Por onde começar? Bem, pelo início, por Edgar Allan Poe considerado o criador do gênero ficção policial.

Poe nasceu em Boston em 1809. Ficou órfão ainda jovem, foi adotado informalmente por Francis Allan e John Allan. Se alistou nas forças armadas, teve problemas com bebidas, casou com sua prima de 13 anos,Virginia Clemm.  Foi escritor, poeta e crítico literário. Leia mais

Forte de Santo Antônio, s/n

– Forte de Santo Antônio, por favor.

– Você quer dizer: Farol da Barra? – O taxista respondeu

– Sim. Isso mesmo!

O final de semana em que estive na sua cidade foi um misto de emoções. Me senti um liquidificador contendo em seu interior ansiedade, estranhamento, curiosidade e encantamento. Me vi reconhecendo aquelas ruas em que andamos juntos num passado próximo. Andando de mãos dadas como fazem os casais? Não. A sociedade ainda não estava preparada para o nosso caso de amor. Talvez nem nós dois estivéssemos… Andávamos lado a lado, esbarrando um no outro, sentindo a pele roçar discretamente. Leia mais