Felicidade por um fio

– Oxe, ela acorda mais cedo que ele para se arrumar.
– Fulana quando está de touca e o marido chega, sai correndo para tirar.

O diálogo acima foi entre eu e minha Mãe enquanto assistíamos a nova comédia romântica da Netflix, “Felicidade por um fio”. O filme, baseado na novela Nappily Ever After escrita por Trisha R. Thomas, traz como protagonista Violet, uma publicitária bem-sucedida, que no dia do seu aniversário ao invés de ganhar uma aliança do namorado, ganha um cachorro.Continue lendo

Um diálogo com o prólogo de Úrsula

Meio da tarde. Calor de +30°. O vento que sai do ventilador é um sopro morno. Internet caiu pela milésima vez na semana. Resolvi recorrer aos livros para passar esse tempo de +30°.

Na lista infinita de livros para ler tem um que é prioridade por ser a leitura de novembro do clube do livro. A obra é “Úrsula”, da escritora maranhense Maria Firmina dos Reis.Continue lendo

Clube do Livro Alagoinhas comemora um ano com obra de Maria Firmina dos Reis

A leitura do mês de novembro do Clube do Livro Alagoinhas será Úrsula, da escritora Maria Firmina dos Reis, obra inaugural da literatura afro-brasileira e o primeiro romance de autoria feminina do país.

Úrsula foi publicado em 1859, em São Luís, no Maranhão, e é também considerado o primeiro livro com temática abolicionista. Maria Firmina escreveu sobre escravidão a partir do ponto de vista dos escravos. Aos 22 anos de idade se tornou a primeira professora concursada do seu Estado e, após se aposentar, fundou uma escola mista gratuita. Continue lendo

Sobrevivendo ao caos

Você já deve ter visto em várias redes sociais algumas tirinhas em que uma pessoa pergunta para outra se ela está bem. A gente sempre costuma responder que está bem. Mas, ultimamente, estamos sendo obrigados a deixar as aparências de lado e dizer que não, não está tudo bem.

O Brasil está passando por uma crise política intensa e qualquer pessoa que se preocupe com o futuro democrático do país não está bem. Os verbos atuais são resistir e lutar.

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Clube do livro Alagoinhas entra no clima de suspense com livro de Harlan Coben

A leitura do mês de outubro do Clube do Livro Alagoinhas será “Não conte a ninguém”, do americano Harlan Coben, conhecido como o “mestre das noites em claro”.

Harlan Coben é vencedor de diversos prêmios, entre eles a trinca de ases da literatura policial americana: o Anthony, o Shamus e o Edgar Allan Poe. O livro “Não conte a ninguém” foi publicado em 2001 e em 2006 foi adaptado para o cinema pelo cineasta francês Guillaume Canet.Continue lendo

Planner 2018 – outubro, novembro e dezembro

E 2018 já está quase no fim! Espero que você tenha conseguido realizar quase tudo que desejou no início do ano. E, caso não, ainda tem três meses pela frente para trabalhar duro e chegar lá. Ou quase lá. Não tem problema se não chegar lá, o importante é continuar tentando e acreditar que é possível.Continue lendo

É tempo de ouvir outras histórias

Um dia minha Avó me contou uma história:

Um negro, escravo fugido, se apaixonou por uma cigana e a roubou do seu povo. Eles fugiram andando pelo sertão do interior da Bahia. Tiveram uma filha (minha bisavó). 

A partir desse momento fiquei sabendo de onde eu vinha, qual era a minha ancestralidade.Continue lendo

Ser empático com a diversidade

Finalizei a segunda temporada de Anne with an E, série original da Netflix, que retrata a vida de Anne, uma menina ruiva e órfã, em meados de 1890, na Ilha do Rei Eduardo, no Canadá.

É uma série que já havia me cativado na primeira temporada devido a sabedoria e sensibilidade de Anne. A garota encontrou refúgio nos livros e na imaginação para seguir em frente e não se deixar entristecer por ser órfã. Absorveu aprendizados dos momentos ruins que precisou suportar enquanto trabalhava desde muito novinha em casas de família.

Apesar de retratar a vida de uma garota falante e sonhadora, a série traz temas relevantes que nos tocam e nos emocionam a cada episódio. Há, por exemplo, uma maneira delicada e sutil de tratar questões de gênero. Anne questiona o tempo inteiro o papel que as mulheres ocupam na sociedade. Não esqueço de que ela disse que prefere ter um companheiro de vida do que um marido. O desejo é de não ser propriedade do homem, mas sim viverem juntos, lado a lado, e como a própria garota poetizou, que cada um possa seguir os desejos do coração.

Mas essa forma sutil e delicada de falar sobre questões de gênero já havia sido trabalhada na primeira temporada. E então eu fiquei pensando o que havia me marcado mais nesses novos episódios e duas palavras surgiram na minha cabeça instantaneamente: diversidade e empatia.

A série ganhou três novos personagens: Cole, um menino que desde cedo sofre por conta da sua orientação sexual, que não é aquela considerada a correta; Sebastian, jovem negro, que sonha com uma vida digna, longe do trabalho escravo dos navios a vapor, e que vai enfrentar o racismo da comunidade da Ilha; Miss Muriel Stacy, a nova professora, que vai sofrer preconceito por ser uma mulher solteira, que se veste de forma considerada não apropriada para as mulheres da época, e possui um método de ensino não conservador, o que deixa de lado a memorização e coloca em foco o pensamento crítico.

Três personagens que representam parte da diversidade que existe no mundo. E através deles vamos pensar sobre como a sociedade encara o que foge do padrão homem branco heterossexual. Esse padrão considerado universal e detentor do poder e da verdade que construiu sociedades machistas, racistas, homofóbicas e classicistas.

Nós sempre fomos diferentes uns dos outros, nós nascemos diferentes uns dos outros, mas ser diferente não supõe inferioridade. Diversidade é bom. Não existimos para sermos como uma produção em série, todos iguais, pensando e agindo de maneira única. Existimos para sermos diferentes mesmo, cada um a sua maneira, seguindo os seus desejos mais íntimos e únicos do coração. Trazendo cada um algo a acrescentar pro mundo, pra tentar fazê-lo diferente do que é, longe desse padrão universal que aprisiona nossa liberdade de ser.

Lidar com tanta diversidade talvez seja difícil, já que nossa sociedade foi construída com base nesse padrão universal, mas é aí que entra a empatia, a outra palavra que define para mim a segunda temporada de Anne with an E. O akapoeta, João Doederlein, tem uma definição bonita do que é empatia:

não é sentir pelo outro, mas sentir com o outro. quando a gente lê o roteiro de outra vida. é ser ator em outro palco. é compreender. é não dizer “eu sei como você se sente”. é quando a gente não diminui a dor do outro. é descer até ao fundo do poço e fazer companhia pra quem precisa. não é ser herói, é ser amigo.

é saber abraçar a alma.

Não tem como a gente se colocar no lugar do outro, tentar imaginar como é viver as mesmas experiências. Já diz outro poeta e músico, Caetano Veloso, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Quando Cole disse para Anne que era como a tia Josephine, a reação dela foi dizer: obrigada por compartilhar comigo.

Sejamos então empáticos com a diversidade. A vida é partilha. E é bom partilhar com outros modos de ver e sentir o mundo.

Vícios e virtudes

Eu tinha entre doze e treze anos de idade quando fiz a minha primeira eucaristia. Lembro como se fosse ontem o dia em que eu e meus amigos de catequese fomos confessar nossos pecados ao padre pela primeira vez. Faz parte do ritual cristão antes de receber o corpo e sangue de Jesus.

Eu lembro de ficar pensando sobre o que eu ia falar. Eu ficava tentando refletir sobre as atitudes de uma menina de doze anos que poderiam ser consideradas pecado. Não sabia direito o que era pecar. Meu Deus, o que eu tinha vivido com essa idade para ter pecado?

Acabei associando o pecado à desobediência. Me senti culpada por ter desobedecido minha mãe em algum momento e então ia confessar isso, pedir perdão para Deus e pagar por meu pecado. O pagamento foi rezar um Pai-Nosso e dez Ave Marias. Depois disso, eu nunca mais me confessei.

Esse episódio da temporada cristã da minha vida reapareceu enquanto lia o “Sete confissões capitais e outros pecados”, de Adriana Sydor. O livro é um confessionário aberto. É onde a autora vai falar sobre seus pecados consciente de que os comete, como toda boa humana. Mais importante ainda sem o peso da culpa. Até um pouco feliz por se permitir vivê-los, alguns mais intensamente do que outros. Um verdadeiro “conhece-te a ti mesmo”.

Em tempos de redes sociais digitais, em que nossa vida passa por filtros, os de imagem e os de conteúdo, pensar sobre nossos pecados, nossos vícios, talvez esteja, como disse a própria Adriana, um pouco fora de moda.

Me descobri extremamente pecadora (ok, me reafirmei como pecadora), fui cúmplice da autora em vários pecados. Ao ler sobre sua relação com a inveja, me lembrei de quantas vezes ouvi e falei: tenho inveja branca de você. Além de ser um comentário extremamente racista, é totalmente sem noção dizer isso.

Se invejamos a vida de alguém é porque há algo de errado em nossa vida, ou como Sydor confessa: a inveja explica o próprio fracasso. Esse é um dos capítulos mais interessantes do livro. A autora faz uma reflexão sobre o pecado e como conviver pacificamente com ele: “Saber o que eu invejava, prêmio de consolação, foi, pelo menos, um reconhecimento do que precisava melhorar”.

Hoje se talvez fosse fazer uma confissão, o padre ia ter que reservar uma manhã inteira do domingo para mim. Mas eu não sinto vontade de me confessar na igreja com o padre. O Deus em que acredito hoje não castiga. Acredito que eu não vou precisar rezar um Pai Nosso e dez Ave Marias para pagar pelos meus pecados. Eu só preciso assumir, principalmente para mim mesma, como Adriana fez, de que “sou, como todo mundo é, uma mistura delicada entre vícios e virtudes”.

 

  • conheça a autora e acompanhe seu trabalho através do Instagram e Blog
  • o livro foi publicado pela Travessa dos Editores e o recebi através do agente literário Stéphane Chao. obrigada! 😉