Posts por Jeniffer Geraldine

Memória: o desejo de permanecer

Nos últimos dias, alguns acontecimentos me fizeram pensar sobre esquecimento e memória afetiva. Na quarta-feira de cinzas recebi logo cedo a notícia de que alguém muito importante na minha vida e da minha família havia falecido. Na mesma hora, me veio um filme na cabeça com todos os bons momentos que essa pessoa havia proporcionado para nós. Lembrei das visitas a fazenda, da água de coco, do bolo, de sentar na varanda no final de tarde.

Minha Mãe me deu a notícia seguida de um pedido: “Ela sempre me pediu pra rezar por ela quando se fosse desse mundo. Ela não tinha filhos… Rezarei. Reze também.” Eu rezei. Ela queria ser lembrada por nós em um momento de oração, um momento íntimo com Deus, esse era o seu pedido mais importante. E apesar de ter rezado e continuar rezando, o que ficou pra mim foram nossos momentos sentadas na varanda da fazenda. Talvez essa memória afetiva também seja uma espécie de oração.

Nesse mesmo dia, resolvi continuar minha maratona do Oscar 2018 e escolhi ver a animação “Viva – A vida é uma festa”. Um filme que trata sobre o Dia dos Mortos, tradição na cultura mexicana. E ao invés de ser um dia de tristeza, é um momento de alegria, que comemora com muita cor, música e dança, a visita das almas à terra.

Miguel é um menino apaixonado por música, mas na sua casa é proibido ouvir qualquer tipo de canção devido a um trauma familiar, seu tataravô abandonou a família para correr atrás do sonho de ser um grande músico. No Dia dos Mortos, Miguel resolve enfrentar a família e ir em busca também de sua paixão. E acaba vivendo uma aventura no mundo dos mortos. É uma animação belíssima e emocionante que através dessa família nos apresenta uma cultura diferente e muito bonita.

No Dia dos Mortos, enquanto do lado dos vivos a família decora a casa e prepara um altar com fotos dos seus entes queridos, do lado dos mortos, eles esperam ansiosos para saber se foram lembrados e que assim vão poder visitar a terra. Há um desejo em comum: não ser esquecido. Eles desejam manter-se vivos na memória de quem ficou.

O título original da animação é “Coco”, o nome da bisavó de Miguel. Ela já está velhinha e sua memória está indo embora. Coco é a única que ainda lembra do seu pai, o músico que abandonou a família. E aqui o filme coloca a música como memória afetiva. Enquanto a família Rivera negava a música, fazia o mesmo com parte importante da sua história e, principalmente, com um dos seus entes queridos. Para Coco a música era o que pra mim é hoje o sentar na varanda da fazenda, a nossa maneira de manter vivo quem se foi.

O ciclo que me fez pensar sobre esquecimento e memória afetiva só teve fim na última segunda-feira quando me despedi da série Napolitana, da escritora italiana Elena Ferrante. Foi impossível não fazer ligação com tudo que estava acontecendo porque essa tetralogia fala também sobre o desejo de permanecer. O diferencial é que esse desejo não parte de quem já foi, mas de quem ficou e deseja manter vivo alguém que foi importante em sua vida.

Os quatro livros da Séria Napolitana – A amiga genialHistória do novo sobrenome, História de quem foge e de quem fica, História da Menina Perdida – são narrados por  Elena Greco e conta a história da amizade dela e de Raffaela Cerullo, a Lila. O primeiro livro começa quando Greco recebe uma ligação do filho de Lila informando que a mãe havia desaparecido. Como maneira de não fazer com que a amiga caísse no esquecimento e também com raiva, Lenu (apelido de Greco) começa a escrever a história delas, tudo o que ficou na memória. A sua maneira de manter Lila viva era através da escrita.

E no último livro, A história da Menina Perdida, nossa narradora deixa claro que o desejo de manter Lila viva era algo dela, algo tão forte, que ela acreditava que também era um desejo de sua amiga: Eu amava Lila. Queria que ela durasse. Mas queria que fosse eu a fazê-la durar. Achava que era minha missão. Estava convicta de que ela mesma, desde menina, me atribuíra essa tarefa.

A história das amigas não é um mar de rosas, ou talvez seja mas com muitos espinhos. Apesar de termos acesso apenas a tudo o que ficou na memória de Lenu, não duvidei da sua narrativa. E mesmo com tantos conflitos, ela sempre preferiu relevar o seu passado e todos que fizeram parte dele.

Nossa memória tem a capacidade de reter tudo que acontece a nossa volta. E também é o desejo que temos de permanecer vivo em alguém ou no mundo. É um bom lugar para voltar e ter boas sensações, ou até enfrentar medos e seguir em frente de uma nova maneira.

Como a própria Lenu disse sobre sua vida com Lila, “seria desperdício estragar uma história dando espaço excessivo aos maus sentimentos: os maus sentimentos são inevitáveis, mas o essencial é represá-los”. E ainda  complemento, viva, a vida é uma festa!

Caso prefira, você pode acessar o conteúdo no formato vídeo:

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Projeto literário #AmandoJorge 2018

Em 2016 dei início ao projeto literário #AmandoJorge. A proposta é ler a obra completa de um dos maiores escritores de língua portuguesa do mundo, Jorge Amado. Além dos livros publicados pelo escritor, também quero ler biografias, memórias e as obras de Zélia Gattai.

Até o momento li: O País do Carnaval, Cacau, Dona Flor e seus dois MaridosCapitães da Areia, A morte e a morte de Quincas Berro D’Água e Com o mar por meio. O projeto segue firme em 2018 e hoje algumas pessoas me acompanham nessa empreitada através de um grupo no Facebook.

Nossa programação para esse ano está logo abaixo. A próxima leitura é Jubiabá, o terceiro livro publicado por Jorge. Junte-se a nós!

Foto de capa: ACERVO ZÉLIA GATTAI/FUNDAÇÃO CASA DE JORGE AMADO

 

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Partiu Jericoacoara (Ceará)

Chegou a hora de compartilhar e relembrar os momentos da minha versão “Jeni Aventureira”! Em janeiro, durante as férias, visitei o paraíso Jericoacoara, município do estado do Ceará, que fica há 300 km de Fortaleza.

A viagem foi organizada pela BSTOUR, empresa da amiga Bete Schramm. Saímos de Salvador de avião até Fortaleza e lá pegamos um transfer 4×4 (parte da estrada até Jeri é de areia).

Foi uma aventura e tanto! Esse é o primeiro vlog em que mostro o percurso até lá e o primeiro dia em Jericoacoara, que sem dúvidas é uma das mais belas praias do nordeste.

 

 

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Citação Lívia Natália

Fui irmã das putas que se apaixonam e abortam, das virgens que se jogam ao mar como Ofélias ensandecidas. Fui a bêbada que gritava nomes imundos, dos mais sujos, eu disse: amor.

Lívia Natália

 

3ª edição do Clube do Livro Alagoinhas acontecerá no dia 24 de fevereiro

O Clube do Livro Alagoinhas chega à 3ª edição no dia 24 de fevereiro, às 15h, no Centro de Cultura. O evento tem entrada gratuita.

No encontro será discutido o “Livro dos Abraços”, do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano. A obra venceu uma votação realizada no grupo do Clube do Livro no Facebook.

Publicado em 1989, o livro faz parte de uma lista de mais de quarenta obras publicadas pelo escritor que combinam ficção, jornalismo, política e história.

Sinopse: Tratar a memória como coisa viva, bicho inquieto: assim faz Eduardo Galeano quando escreve. Sua memória pessoal e a nossa memória coletiva, da América. Quando escreve, ele mostra que a história pode – e deve – ser contada a partir de pequenos momentos, aqueles que sacodem a alma da gente sem a grandiloqüência dos heroísmos de gelo, mas com a grandeza da vida.

Assim é “O livro dos abraços”. Em suas andanças incessantes de caçador de histórias. Galeano vai ouvindo de tudo. O que de melhor ouviu ele transforma em livros como este, onde lembra como são grandes os pequenos momentos e como eles vão se abraçando, traçando a vida.

 

Sobre o Clube do Livro Alagoinhas: Projeto cultural de incentivo à leitura. Queremos reunir pessoas apaixonadas por leitura em um encontro mensal para conversar e compartilhar experiências. Como funciona? Leitura de um livro por mês. A votação é feita no Grupo do Facebook após uma pré-seleção de obras. 

 

 

Clube do Livro Alagoinhas – 3ª edição

Data: 24 de fevereiro de 2017

Local: Centro de Cultura

Horário: 15h

Nome do livro: O livro dos Abraços

Autor: Eduardo Galeano

Mediadores: Jeniffer Geraldine, Julianna Santos e Marcello Alves

Apoio: Centro de Cultura de Alagoinhas

Entrada: Gratuita

 

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Lady Bird – A hora de voar

Com roteiro e direção de Greta Gerwig, a dramédia “Lady Bird – A hora de voar” recebeu cinco indicações ao Oscar 2018. Além de já ter sido o vencedor do Globo de Ouro em duas categorias (melhor filme cômico e melhor atriz em filme cômico). E Greta entrou para a história como a quinta mulher indicada ao prêmio de melhor direção.

Gerwig  também é roteirista de Frances Ha, um dos meus filmes favoritos da vida, que aborda o início difícil da vida adulta. Já em Lady Bird temos Christine “Lady Bird” McPherson (Saoirse Ronan) na transição entre a adolescência para fase jovem adulta. O que me conquista nos filmes da Greta é justamente o enfoque dado aos momentos de transição, que são quase sempre comédias dramáticas também na vida real.

Christine não gosta do seu nome, vive em Sacramento (também não gosta de Sacramento), estuda em um colégio católico, tem um relacionamento difícil com a mãe (ambas têm um gênio forte) e deseja sair voando para longe disso tudo, de preferência para uma faculdade em Nova York.

É interessante ver como ela nega tudo o que tem. Às vezes não fazemos isso? Acreditamos que o melhor não é o aqui e o agora? É algo ainda a ser conquistado e que não está próximo de onde estamos e nem no meio em que já vivemos. Lady Bird faz exatamente isso: nega tudo. Talvez por desejo de querer sempre mais (não há problema nisso se for em boa dosagem) e também por imaturidade.

O relacionamento com a mãe é outro ponto importante na dramédia. São parecidas, possuem gênios fortes, se amam, mas uma é o desafio da outra. A mãe Marion (Laurie Metcalf) tem uma postura que é definida e defendida, até pela própria Lady Bird, como um amor severo. O zelo excessivo, a crítica, a proteção são todos sinônimos de amor. Essa relação entre mãe e filha é parte importante na história e no amadurecimento de Lady Bird.

– Por que você não pode dizer que eu estou bonita?
– Pensei que você nem ligava pro que eu acho.
– Eu ainda quero que você ache que eu estou bonita.
– Desculpe, eu estava falando a verdade. Quer que eu minta?
– Não, eu só queria… Eu queria que você gostasse de mim.
– Claro que eu te amo.
– Mas você gosta de mim?
– Eu quero que você seja… a melhor versão de você que conseguir ser.
– E se essa já for a melhor versão?

Foi divertido e emocionante acompanhar a trajetória de Lady Bird. E o mais bonito é que na hora de voar, na hora que ela consegue ser quem queria ser, ela se reconhece como Christine, a menina católica de Sacramento, o que é uma parte do que ela é.

No final fica uma mensagem que toca bastante a menina que saiu da sua cidade natal aos 17 anos (eu): Voe por aí, mas não esqueça de onde você deu o primeiro impulso para voar. É sua história, sua vida, parte do que você é e sempre será, não adianta negar.

 

– Eu li seu ensaio da faculdade, você claramente ama Sacramento.

-Eu amo?

-Bem, você escreve sobre a cidade com tanto carinho e cuidado…

-Eu estava apenas descrevendo.

-Bom, pareceu amor.

-Claro, acho que presto atenção.

-Não acha que talvez sejam a mesma coisa? Amor e atenção?

Timothée Chalamet (Me chame pelo seu nome), Saorise Ronan e a diretora Greta Gerwig durante as gravações.

Universal Pictures iniciou em 8 de fevereiro uma série de pré-estreias pagas de “Lady Bird – A Hora de Voar” pelo Brasil. E a estreia está marcada para o dia 15 de fevereiro.

 

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Pacto Literário 2018

Hoje quero te convidar para participar de um pacto literário! Calma que não será preciso nenhum tipo de sacrifício. O acordo é apenas parar ler um livro por mês e depois compartilhar suas impressões de leitura no grupo Pacto Literário no Facebook.

Começamos o ano ano lendo o fenômeno literário Elena Ferrante e o primeiro livro da sua série Napolitana, A Amiga Genial. A leitura rendeu um bom papo, teve gente que se empolgou e outros nem tanto. Faz parte, né?! E é justamente essa possibilidade de vários olhares para um obra que me faz gostar muito dos clubes de leitura no geral.

Em fevereiro vamos ler Todo Dia, do David Levithan, que ganhou uma adaptação pro cinema com estreia mundial prevista para 23 de fevereiro. E já temos os livros para o restante do 1º semestre definidos, conforme imagem de abertura do post. Os livros que vão completar a agenda 2018 estão em votação no grupo. Aproveite para entrar e dar o seu voto.

Venha ler com a gente! 😀

 

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O que te faz mais forte

“O que te faz mais forte” é um filme baseado no livro homônimo de  Jeff Bauman e Bret Witter. Jeff teve suas duas pernas amputadas após ser vítima de um atentado terrorista na Maratona de Boston, em 2013, e virou símbolo de heroísmo e superação.

A produção tem o ator Jake Gyllenhaal (Animais Noturnos) em uma atuação brilhante como Jeff e Tatiana Maslany (Orphan Black) como a namorada, Erin Hurley. Erin ia correr na maratona e Jeff resolveu ir torcer por ela. Seria mais uma tentativa de reconquistá-la, já que eles estavam separados havia algum tempo. Enquanto a esperava, próximo da linha de chegada, ocorreu o atentado que deixou 264 feridos e causou a morte de três pessoas.

Bauman sobreviveu mas precisou ter suas duas pernas amputadas. E passou a ser um dos símbolos da Boston Strong, uma campanha de apoio aos sobreviventes e familiares do atentado e também um incentivo para que a população não deixasse os terroristas vencerem. A vida de Bauman mudou completamente, não só pelo fato de que agora ele precisaria mudar toda sua rotina em função da reabilitação mas, principalmente, porque ele se tornou um herói para milhares de pessoas.

Jeff recebia cartas, convites para eventos e programas (inclusive da Oprah) e tinha uma vida quase de celebridade. Me fez pensar o quanto a sociedade precisa de um herói, de um salvador, alguém que inspire e motive a uma vida melhor. Só que enquanto a mídia e sua família, principalmente a mãe Patty (Miranda Richardson), reforçavam o título de herói, Jeff não se via assim e chegou até a questionar: sou um herói por ter perdido as pernas?

O filme é um drama que tem seus momentos tensos e de dor, mas consegue ter algumas cenas de leveza pela personalidade de Jeff e sua família bem agitada. Desde o início temos a impressão de que ele é um rapaz de bem com a vida, que tenta levar quase tudo numa boa. Esses traços da sua personalidade vão aparecer durante o processo de reabilitação e traz para nós alguns cenas de descontração.

O relacionamento com a mãe alcoólatra que trata o filho como um menino mimado é bem interessante de acompanhar. Ela quer a todo custo aproveitar as oportunidades que surgem e reforça para mídia e sociedade que seu filho é um herói. Já o seu namoro com a Erin por algum momento eu pensei que fosse cair totalmente na culpa e no ressentimento, mas isso não acontece. E ela se torna alguém essencial no seu processo de amadurecimento e reabilitação.

“O que te faz mais forte” mostra que muito (ou quase tudo) da vida é uma jornada pessoal. Podemos ter o apoio da família, dos amigos, dos amores, o mundo pode acreditar que somos fortes, que somos heróis, mas isso tudo só se concretiza se nós acreditarmos que somos heróis.

O ator Jake Gyllenhaal e Jeff Bauman. | Foto: Site Festival do Rio

O filme chega às telas de cinema em 8 de fevereiro, com distribuição nacional pela Paris Filmes. Vá ao cinema se emocionar com essa bela história de superação! 😉 

  • O livro chegou ao Brasil pela editora Vestígio, do Grupo Autêntica. Confira na Amazon!

Confira minha opinião em vídeo:

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NA CABECEIRA #2: o que estou lendo e livros novos

O quadro “Na Cabeceira” é onde mostro as leituras do momento + os livros novos que chegaram nos últimos tempos por aqui.

Confira o vídeo e se programe para ler algo comigo:

 

Links citados:

Projeto Uns e Outros #1

A Amiga Genial, o início da série Napolitana

Grupo no Facebook do Clube do Livro Alagoinhas

Grupo no Facebook do Pacto Literário

“Todo dia” na Amazon

“O Segundo sexo” na Amazon

“Os homens explicam tudo para mim” na Amazon

“História da menina perdida” na Amazon

“O livro dos abraços” na Amazon

E você o que anda lendo por aí? 😉

 

Um poema sussurrado por alguém apaixonado

O título desse texto é uma citação do filme A forma da água, dirigido por Guillermo del Toro e que foi escrito por ele e Vanessa Taylor. O longa recebeu 13 indicações ao Oscar 2018, além de já ter recebido alguns outros prêmios importantes, como o Globo de Ouro de melhor diretor.

Escolhi esse título porque foi exatamente assim que me senti quando terminei de assistir o filme. A forma da água é uma história de amor, um conto de fadas sombrio, em que o monstro fica no final com a mocinha.  Toro, um apaixonado por monstros, fez questão de deixar claro sua referência e homenagem ao clássico O monstro da Lagoa Negra (1954).

Em A forma da Água temos Elisa, interpretada brilhantemente por Sally Hawkins, que é faxineira de uma base militar durante a década de 1960, período da Guerra Fria. Lá, Eliza se apaixona por um ser que foi encontrado e capturado pelo coronel Richard Strickland, vivido pelo ator Michael Shannon (que conseguimos odiar do início ao fim do filme). Essa criatura, vivida por Doug Jones, foi levada até o laboratório da base para ser estudada e quem sabe utilizada na guerra e na corrida espacial.

Elisa não fala, mas escuta. Sendo assim, a sua comunicação é feita através da linguagem de sinais, o que deu ao filme um silêncio encantador, além de uma calma e leveza poética. O mais interessante é que Elisa vai conseguir ensinar a linguagem de sinais a essa criatura e assim estabelecer uma comunicação mostrando também que esse ser é inteligente, pode se comunicar e entender emoções.

Através desse relacionamento entre espécies diferentes, A forma da água vai passar a mensagem de que toda forma de amor é válida, que é possível amar de diferentes maneiras. Uma das cenas mais encantadoras é quando Elisa conversa com seu melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e tenta explicar o motivo do seu amor por essa criatura. O motivo é bem simples, mas complexo em se tratando de relações e expectativas.

Quando ele olha para mim… O jeito que ele olha para mim… Ele não sabe o que falta em mim. Ou como sou incompleta. Ele só me vê pelo que sou. Como eu sou. E ele fica feliz em me ver, todas as vezes. Todos os dias.

O filme ainda tem algumas subtramas interessantes, como a do próprio coronel Strickland, um homem estressado que vive a pressão do seu trabalho, machista, e bem fácil de ser odiado por todos ao seu redor. Os amigos de Elisa também são pontos importantes na história, Giles é um artista solitário que vive triste por conta da idade e fracassos amorosos (falando bem superficialmente) e Zelda (Octavia Spencer) que é um símbolo da força da mulher no filme, ao mesmo tempo que seu personagem também nos faz pensar sobre desigualdade de gênero e preconceito racial.

E além de todo enredo, o filme também me encantou através da fotografia, cenário e trilha sonora. Permanece o tom verde na tela para reforçar o poder que água tem em toda história. E o cenário bem vintage com direito a Elisa morando na parte de cima de um cinema faz brilhar os olhos de quem gosta um pouco de nostalgia. A trilha sonora produzida por Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste) é daquelas de acalmar e vibrar o coração.

Acredito que fui enfeitiçada por esses elementos acima porque ao final do filme, eu me senti cheia de amor de um jeito estranho mas maravilhoso. Foi realmente como se tivessem sussurrado no meu ouvido um poema escrito por alguém apaixonado.

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