Até a Sagrada Colina

Ser baiano é viver cercado por fé e cultura. Você pode até se manter distante de tudo isso, mas sempre haverá alguém próximo que vive intensamente a Bahia. Pessoas que não perdem uma festa religiosa, os ensaios de verão e andam quase 8 km até a Sagrada Colina para pedir proteção ao Senhor do Bonfim.

Sou baiana com orgulho. Adoro samba, pagode e axé. Visto branco dia de sexta, rezo para Santo Antônio, mas ainda não tinha ido até a sagrada colina no dia da Festa do Bonfim. E reza a lenda que todo baiano tem que fazer essa caminhada pelo menos uma vez na vida. No dia 15 de janeiro, coloquei um vestido branco e fui saudar o Senhor do Bonfim.

O primeiro fiel a chegar na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, onde se inicia o cortejo, foi o Sol. Exuberante e quente marcou presença do início ao fim da caminhada. Acredito até que tenha feito um pacto com o Senhor do Bonfim para testar os outros fiéis. Porque se “quem tem fé vai a pé” ganha a simpatia do santo, então “quem tem fé vai a pé no sol quente”, deve ganhar um bônus.

Com pacto ou sem pacto, o Sol não intimidou os outros fiéis. E ao passar pelas ruas da cidade de Salvador era fácil encontrar pessoas vestidas de branco e azul, com chapéus ou guarda-chuva, prontos para festa. São jovens, adultos, crianças, idosos. Todos movidos pela fé e tradição. É algo que contagia e você segue firme no seu propósito.

O caminho parece ser longo e com o Sol quente na cabeça temos a impressão de que vai ser mais difícil. Mas com o som do ijexá do afoxé Filhos de Gandhy, a alegria das baianas, e demais manifestações culturais e religiosas, o percurso se torna agradável e você acaba esquecendo um pouco do calor.

É uma mistura de gente, figuras de todos os tipos que estão ali com o propósito de agradecer ao Senhor do Bonfim pelo ano que passou e pedir proteção para o que chegou.  Ao cumprir os 8 km, chega um dos momentos mais bonitos da festa: ouvir o hino do Bonfim. Impossível não se emocionar e renovar a fé em algo superior. Como diz minha Vó: todo mundo precisa acreditar em algo, independente do que seja. Ter fé é preciso.

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Para muitos baianos e devotos de todo o Brasil, aquele momento é sinal, principalmente, de renovação. O ano começa ali, após a benção e de ter amarrado a fitinha na grade da Igreja do Bonfim. Enquanto as baianas lavam as escadarias, os fiéis lavam a alma.

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