As melhores leituras de 2019

Vamos começar a retrospectiva de 2019 com as melhores leituras. Antes um balanço geral, em 2019 eu li:

26 livros

11 físicos

15 ebooks

20 livros de autoria feminina

6 livros de autoria masculina

16 livros de não-ficção

Observando essas estatísticas, posso dizer que foi o ano de não ficção de autoria feminina. Algo bem coerente com meu 2019 como um todo porque foi meu primeiro ano de mestrado e eu busquei ler bastante teoria feminista. 

O meu critério de escolha para os melhores do ano é sempre pensando no livro que mais me marcou. Aquele que de alguma maneira até hoje reverbera nos meus pensamentos e me fez mudar alguma atitude ou ideia. 

Ouça o conteúdo: 

Sem ordem de preferência, vamos as melhores leituras de 2019:

O FEMINISMO É PARA TODO MUNDO – BELL HOOKS

bell hooks entrou na minha vida e não vai sair mais. Tenho um projeto pessoal de ler tudo que a autora escreveu. E ela se tornou uma das minhas principais referências teóricas sobre o feminismo. “O feminismo é para todo mundo” se tornou aquele livro que considero leitura obrigatória para quem quer entender sobre feminismo e eu passei a indicá-lo para todo mundo. Fiz a crônica “Autocrítica feminista e bell hooks” inspirada na leitura – leia aqui

 

 

 

MULHERES, RAÇA E CLASSE – ANGELA DAVIS

Quando eu li “Mulheres, raça e classe”, da Angela Davis, tive a sensação de ter uma aula de história e ao mesmo tempo a sensação de que eu não sabia de nada do mundo. Davis faz uma análise crítica da história dos Estados Unidos a partir da perspectiva do povo negro, mais especificamente das mulheres negras. E eu acredito que todo mundo deveria tirar um tempinho para ter/ler essa aula de história. 

Falei mais sobre o livro quando indiquei duas escritoras negras de não ficção – confira o post aqui.

 

NA MINHA PELE – LÁZARO RAMOS

“Na minha pele”, do Lázaro Ramos, foi uma das leituras mais legais do Clube do Livro Alagoinhas em 2019. Eu sou fã de ler memórias, autobiografia e ensaios. Então só por isso o livro do Lázaro me ganha. Mas também me ganhou por ele ser baiano. Senti uma proximidade com os relatos e os lugares. E em cada página a gente encontra o bom humor e o otimismo do Lázaro. Epistemicídio, representatividade negra, religião, memória afro-brasileira e racismo são alguns temas abordados no livro. Eu indico bastante. Uma leitura leve mas potente. 

 

 

MEMÓRIAS DA PLANTAÇÃO – GRADA KILOMBA

“Memórias da plantação”, da Grada Kilomba, um livro riquíssimo em conteúdo e metodologia. Eu sou simplesmente apaixonada por esse trabalho da Grada. Mais uma autora que virou referência para mim. Eu fui lendo, anotando, dialogando com o texto, com as ideias da Kilomba. No início do livro, a autora faz um trabalho primoroso de desconstrução da língua portuguesa e nos mostra como a linguagem tem o poder perpetuar opressões. Fiz a crônica “Ler e escrever, atos políticos” inspirada na leitura de “Memórias da plantação” – confira aqui o post

 

MÁ FEMINISTA – ROXANE GAY

Minha última leitura do ano foi “Má feminista” e enquanto lia, me perguntava: como eu não conhecia Roxane Gay? O livro me ganhou pelo formato, ensaios autobiográficos, mas ainda porque, como diz Gay, são provocativos e me fez questionar o feminismo e as feministas. Eu amei o termo má feminista como uma oposição ao feminismo essencial. Não há um modo de ser feminista porque não existe um feminismo. Cada vez mais precisamos estar atentas na pluralidade dos movimentos para não cairmos nas armadilhas que acabam por excluir ao invés de reconhecer e aceitar as diferenças. Fiz uma crônica inspirada na leitura do livro – leia aqui.

 

Essas foram as melhores leituras de 2019. Sem dúvidas, uma lista excelente de teoria feminista, com exceção do Lázaro Ramos. 

Já faz um tempo que não crio metas de leituras para o ano novo. Gosto muito de ir na vibe do meu momento. Mas eu estou com saudades de ler uma boa ficção. Pensando nisso, em 2020, vou tentar sempre incluir um bom romance nas leituras. 

Você já leu alguma das minhas melhores leituras de 2019?

Te desejo ótimas leituras em 2020. 

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