Artigos e Ensaios

minha estante era patriarcal demais

Quando fiz o planejamento literário do mês de novembro priorizei alguns livros recebidos em parceria com editoras. Separei cinco livros. Todos eles são lançamentos de 2017. Percebi um padrão, dos cinco apenas UM era de autoria feminina. Na verdade, esse padrão eu já havia percebido em 2015 quando conheci o projeto Leia Mulheres. Minha estante era patriarcal demais.

“Se for menino não vai usar rosa não”

O ano era 2017. E a frase que ouvi de um futuro pai foi “se for menino não vai usar rosa não”.

A gente até perdoa quando olha pro contexto social e familiar da pessoa e lembra que vivemos em um país muito machista. Mas ao mesmo tempo eu fico pensando: até quando vamos achar que usar determinada cor vai influenciar na orientação sexual de alguém? Até quando vamos dizer que rosa é coisa de menina e azul é coisa de menino?

Conto “O Cobrador” de Rubem Fonseca: a violência como resposta à desigualdade social

Rubem Fonseca é um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea. Antes de se dedicar à literatura, Rubem foi policial e sua experiência na área estão presentes em suas obras.

Os livros de Fonseca trazem um texto cru e personagens marginais – prostitutas, assassinos, policiais. São narrativas densas que foram marcadas por tudo que o escritor viu e ouviu durante seus anos na polícia. O seu primeiro livro foi a coletânea de contos Os Prisioneiros publicada em 1963. Suas obras já o premiaram com o Jabuti e Camões, dois dos grandes prêmios literários de língua portuguesa.

Foto: Zeca Fonseca

Um amor extra forte, por favor

Desde o princípio, a vida se transforma conforme a incidência de luz; as pessoas, com a chegada de outras. Uma chegada é um enigma.

A condição indestrutível de ter sido (Helena Terra)

Na literatura temos autores especialistas em romances românticos, nos quais os personagens passam por alguns conflitos, mas no final eles vão viver o “feliz para sempre”, um exemplo é o autor Nicholas Sparks, sucesso de vendas. Entendo até o motivo do sucesso, afinal um pouco de esperança faz bem.

Mas em contrapartida ao amor romântico, alguns autores preferem histórias mais reais, com separações, desilusões, perdas, conflitos. E como disse o professor Schianberg, personagem do livro de Marçal Aquino, alguns amores podem nos levar à ruína, ou seja, nem sempre teremos o final feliz como esperado.

Qual a função da literatura?

Na edição de janeiro/2015 do Jornal Rascunho, Gustavo Czekster escreveu o ensaio Espelho negro em que questiona sobre a função da literatura. No início do texto, Czekster conta a história do livro Os Lusíadas, de Luís de Camões. Camões precisou escolher entre o livro e a amada, e “ao salvar Os Lusíadas, Camões tratou o livro como um objeto vivo, pensando nas dezenas de vidas que poderiam ser influenciadas pela sua obra. Ele não conseguiria viver sem a sua criação. É possível inclusive que tenha nadado ainda com mais afinco, sabendo que carregava consigo não um aglomerado de versos ou um pacote, mas a própria alma.”

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