Anelisa sangrava flores – Anderson Henrique

Anelisa sangrava flores é a estreia solo do carioca Anderson Henrique. Publicado em 2014, pela Editora Penalux, o livro reúne 13 contos de realismo fantástico, um deles dá título ao livro.

O que mais me atraiu na leitura foi a forte presença feminina nas histórias contadas por Anderson. A figura feminina é quase sempre a personagem principal, envolvida em mistérios e magia. A Anelisa, do título, quando se machuca e o sangue entra em contato com a terra, nascem gérberas. É triste e belo, ao mesmo tempo.

Seu dom era também uma angústia com a qual a jovem teve de aprender a conviver. Esses cuidados poderiam ser um tormento se não estivesse tão à vontade com aquilo que a fazia única e peculiar. Compreendeu cedo que cada ferida abriga uma dádiva: a dor encerra em si uma alegria futura. – pag 26

O conto Uma noite, uma década lembra um pouco aquela ideia de que quando encontramos alguém especial, o tempo passa rápido ao lado dessa pessoa. Mas no caso de Eduardo, as noites com a encantadora Marialice eram décadas mesmo.

O beijo me fez imaginar a história em um curta brasileiro ou argentino. Um rapaz ganha um beijo inesperado enquanto aguardava o café em uma cafeteria. Querendo um pouco mais daquele beijo, o homem passa a procurar pela mulher misteriosa para ter novamente a chance de beijá-la e também tentar entender o ocorrido. Por que ela o beijou daquele jeito e saiu sem dizer quem era?

Descobri com o tempo que o orgulho é o sentimento mais traiçoeiro que se pode guardar no coração. Ao homem, ele serve de muito pouco. Desejei a raiva, pois esta ao menos move as pessoas. Nem sempre para um bom caminho, claro, mas possui seu propósito específico. Assim é também o amor, capaz de feitos tão inacreditáveis quanto estúpidos. Já o orgulho é o nada, conjunto vazio, lugar nenhum. – pag 103

Os textos são bem escritos e algumas vezes o autor se deixa levar pela poesia, e solta frases bonitas que faz o leitor querer grifá-las. Por ser um livro de contos, há alguns que pode encantar mais que outros, e ainda tem aqueles que merecem uma história mais longa, a gente fica querendo conhecer mais e passar um tempo maior com alguns personagens.

Nós, humanos, pensou vivemos como se fossemos imortais. Se tivéssemos maior consciência desse frágil fio que conduz a vida, possivelmente nossa postura diante de privações e receios seria diferente. Seríamos um tanto mais irresponsáveis, um tanto mais livres. Felizes, talvez. – pag 58 (conto A previsão de José Pasqual)

>> Ouça o conto Gigante

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