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A probabilidade estatística do amor à primeira vista – Jennifer E. Smith

Depois de ler Eleanor & Park resolvi ler mais um livro YA. O escolhido foi “A probabilidade estatística do amor à primeira vista”, da escritora americana Jennifer E. Smith, lançado no Brasil pela Galera Record. O motivo da escolha é bem óbvio (risos), o título. Já faz um tempo que vi, achei bem interessante e logo imaginei que viria por aí uma história bem fofa e leve – a capa também ajuda a passar essa impressão.

Em “A probabilidade…” vamos conhecer Hadley, uma adolescente de 17 anos, que precisa ir para Londres ao casamento do pai com uma mulher que ela nem conhece direito mas já não suporta. O fato é que Hadley ainda não se acostumou com a ideia de que o pai tem uma nova vida longe dela e de sua mãe.

Na manhã que precisa pegar o voo tudo parece diferente e lento para Hadley e com isso, ela acaba se atrasando e perdendo o avião. Mas como dizem, há males que vem para o bem. Por conta desse atraso, ela conhece o britânico Oliver, um rapaz “alto e elegante, com os cabelos desarrumados, olhos verdes”, que vai sentar próximo a ela no voo. A viagem é longa e eles têm um bom tempo para conversar.

Durante a viagem a curiosidade sobre a vida um do outro aumenta e o papo acontece numa boa. Há momentos fofos para ler com um sorriso no canto da boca. Só que a autora adiciona alguns elementos a mais na narrativa que leva o livro para além de um romance fofo adolescente, esses elementos giram em torno do relacionamento entre pais e filhos.

É fato que, muitas vezes, a influência maior na vida de um adolescente parte do grupo de amigos em que ele está inserido. No caso de Hadley, que precisava entender e respeitar a decisão do pai de constituir uma nova família, a influência veio de um rapaz que ela acabara de conhecer no avião. E Oliver precisava de uma válvula de escape para o momento que estava passando na vida e a encontrou em Hadley.

A fila continua se movendo ao lado deles e o agente da alfândega desiste e solta um suspiro frustrado, mas Hadley nem percebe; ela segura a camiseta dele com força, com medo de ser arrastada para longe, e ele a segura pelas costas enquanto a beija. A verdade é que nunca se sentiu tão segura na vida. Os lábios dele são macios e têm o gosto salgado do pretzel que comeram juntos mais cedo. Por um segundo, fecha os olhos e o mundo a redor desaparece. (pag. 62)

 

Em entrevista ao Saraiva Conteúdo, Jennifer E. Smith ao ser questionada sobre a possibilidade de uma conexão real com alguém que acabou de conhecer, responde: “Não sei se todas às vezes é amor à primeira vista, mas eu realmente acredito numa conexão à primeira vista!”. Eu também acredito nessa conexão e por isso acreditei na possibilidade dessa história acontecer e em 24 horas!

Eu tento acreditar que é preciso dar uma chance ao universo de vez em quando. Do tipo, sorrir mais, estar mais aberto para as possibilidades, olhar melhor o mundo ao redor. Não ficar muito preso a leitura de um livro em uma fila e desgrudar, por alguns minutos, os olhos da tela do celular.

Mas voltando ao tema pais e filhos, ao longo do livro vamos descobrir que não é só Hadley que está passando por problema com o pai. Oliver  acredita que o seu é um ser desprezível. Mas como também dizem por aí, a grama do vizinho parece ser sempre mais verde. Cada um olhava de uma maneira diferente e até, positiva,  para o que estava acontecendo com o outro. Hadley achava que o pai de Oliver não era tão ruim assim e que era preciso mais tempo para eles se resolverem. E Oliver acreditava que o pai dela era um homem sincero e estava fazendo o melhor para todos.

Difícil imaginar como seria a vida deles se tivesse voltado para casa no Natal e deixado Charlotte. Será que seria melhor assim? Ou seriam como a família de Oliver, em que a infelicidade pesava como um cobertor sobre cada um deles, sufocante e opressor e tão silencioso? Hadley sabia melhor que ninguém que até mesmo o silêncio podia virar uma coisa maior que as próprias palavras, como aconteceu entre ela e o pai, como aconteceria entre seus pais se as coisas tivessem se dado de outra maneira. Foi melhor que tivessem se separado mesmo? Impossível saber.

Uma coisa é certa: ele está feliz. (pag. 116)

 

Além dos momentos fofos entre Hadley e Oliver, há os momentos entre ela e o pai. As lembranças da infância e a ligação bonita que ainda existia mesmo com a distância. Certa vez, o pai a presentou com o livro “Our mutual friend” do Charles Dickens. Ela nunca se interessou pela leitura, ainda mais depois que o pai saiu de casa. Mas Oliver conhecia o livro, fez comentários e Hadley acabou se interessando um pouco pela leitura. Assim, “A probabilidade…” tem algumas citações legais de “Our mutual friend”. Passagens pertinentes e relacionadas aos momentos em que estavam passando. Achei perfeita a escolha dos trechos e do livro, principalmente por conta do título. O livro seria mais um elo,mais algo em comum entre pai e filha.

Ela se senta, pega o livro e fica passando as páginas. Uma página com a orelha virada aparece, e Hadley percebe que a ponta da orelha está mostrando o começo de um diálogo, como uma seta:

“É de muita utilidade neste mundo”, diz a citação, “aquele que torna mais leve os sofrimentos do outro.”

(pag.105)

 

“A probabilidade…” tem uma linguagem leve e serve para entreter. É um daqueles livros para adoçar o final de um dia cansativo e ler acompanhado de uma boa caneca de chocolate quente ou um chá (como foi o meu caso).

>> O livro vai para as telonas!  O roteiro será de Dustin Lance Black, que assinou J. Edgar, com Leonardo DiCaprio. Acho que vai ser uma fofura só! #ansiosa

Publicado em Literatura

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