A lista Negra – Jennifer Brown

Lembro bem do meu tempo de escola. Foi uma época boa, mas um pouco complicada.  Recordo também dos grupos que existiam – os nerds, os atletas, as patricinhas, os riquinhos, os rockeiros, os pagodeiros, os bagunceiros, os nem aí, os sem turma, os deslocados e tantos outros. Essas divisões sempre existiram e é através delas que crescem as diferenças e a ideia de superioridade. E é aí que mora o perigo.

Na minha época não se chamava bullying. Era brincadeira de mau gosto zombar do outro que não fazia parte da sua turma e que não via o mundo do mesmo jeito que você e sua galera. E hoje tem gente que quando ouve o termo bullying diz que no seu tempo não existia nada disso e tudo acabava bem. Mas, na verdade, a “brincadeira de mau gosto” sempre tinha consequências, brigas, confusões. E sabe Deus como cresceram os dois lados que brincavam de mau gosto.

Pensei nisso tudo ao ler A lista Negra, de Jennifer Brown, publicado no Brasil em 2012 pela Editora Gutenberg. O livro, pela capa e título, nos passa uma impressão errada (pelo menos aconteceu isso comigo). Não podemos imaginar que nas 269 páginas vamos acompanhar uma história angustiante sobre bullying e massacre nas escolas.

Valerie Leftman e seu namorado, Nick Levil, tinham o hábito de escrever o nome das pessoas e coisas que eles odiavam na Lista Negra. Estavam ali desde as pessoas mais populares do Colégio Garvin, onde eles estudavam, até o pai de Valerie. A lista era uma forma de desabafo. Todas as pessoas listadas tinham feito algo com Valerie e Nick, zoações, brincadeiras de mau gosto, etc. Valerie era conhecida como Irmã da Morte e Nick era sempre zoado por causa de suas roupas e aparência. Eles haviam encontrado conforto e segurança um no outro e na lista. Pelo menos era isso que Valerie pensava até que um dia tudo mudou.

Nick, fã de tragédias shakespearianas, entra na praça de alimentação do Colégio Garvin e abre fogo contra os alunos. O detalhe é que ele tinha alvos. Nick atirou apenas nas pessoas que estavam na Lista Negra. Valerie ficou bastante surpresa e tentou impedi-lo, com isso ela salva a vida de Jéssica, uma das garotas populares e que Valerie odiava porque sempre a tratou mal, mas leva um tiro na perna.

A partir desse momento, a vida de Val muda completamente e passa a viver o seu pior pesadelo: ela era acusada de ser cúmplice de Nick porque também escreveu a Lista Negra; Nick após o massacre cometeu suicídio; tinha perdido a confiança da família e de seus poucos ex-amigos; precisava enfrentar suas dores físicas e emocionais. E mesmo com tudo isso ela precisa voltar para o colégio e enfrentar todos os seus fantasmas.

Às vezes, em um mundo onde os pais se odeiam e a escola é um campo de batalha, era ruim ser eu. O Nick tinha sido minha fuga. A única pessoa que me compreendia. Era bom fazer parte de um “nós”, com os mesmos pensamentos, os mesmos sentimentos, os mesmos problemas. Mas, agora, a outra metade desse “nós” tinha ido embora e, deitada no meu quarto escuro, percebi que não sabia como me tornar eu mesma de novo. (pag 29)

Através dos relatos de Val e da cobertura jornalística feita pela repórter Angela Dash para o Tribuna de Garvin, conhecemos todos os personagens dessa história – os adolescentes, seus familiares, o corpo docente do Colégio – e, principalmente, os possíveis motivos da existência da Lista Negra. Jennifer Brown nos alerta para o que pode motivar o bullying e quais as suas consequências. Tenta nos mostrar também como os veículos de comunicação se aproveitam de tragédias para aumentar a audiência. E ainda nos faz questionar: afinal, quando um jovem tira a vida de outro por causa do bullying, quem são os culpados e as vítimas?

A Lista Negra sem dúvidas vai te incomodar e emocionar. É uma leitura que deve ser feita por todo mundo para que fiquemos sempre atentos. O bullying nunca foi e jamais será uma brincadeira de mau gosto.

Vídeo sobre o livro:

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Comentários 2

  • Diego França

    25 de outubro de 2015

    Responder

    Oi, Jennifer!
    Minha vontade de ler esse livro só cresce. Gosto dessa temática porque, de fato, é algo tão comum e sempre foi. É bom ler algo que pode até ser ficção, mas que tem uma verdade explícita alí também. Serve pra refletir nossos atos e enxergar melhor uma pessoa q sofre com isso.
    SObre o título eu realmente não consigo enxergar a temática da história.
    Está na minha listinha esse livro também.

    Bjão.
    Diego, Blog Vida & Letras
    http://www.blogvidaeletras.blogspot.com

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