A exaustão no topo da montanha (Alexandre Coimbra)

Imagina receber cartas da Exaustão? Desabafos com a intenção de externalizar sentimentos de quem também está cansada de estar cansada e ao mesmo tempo estabelecer um diálogo com você sobre esse cansaço que acomete a sociedade.

Eu comecei a ler “A exaustão no topo da montanha”, do psicólogo Alexandre Coimbra, simplesmente por conta do título. E fui surpreendida com esse formato de cartas, uma linguagem poética, intimista, dialogando um tema tenso, a exaustão, com a arte. Uma outra forma de olhar para a temática e nos chamar mais para perto, nos fazendo pensar sobre a nossa própria exaustão ou até mesmo nos alertar sobre sua possível chegada.

Em 2022, a Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma doença ocupacional. Aquele cansaço que não abandona o nosso corpo e nossa mente agora é uma doença. E talvez, a partir disso, não seja apenas lido pela sociedade como preguiça e “corpo mole para o trabalho”. 

O livro “A exaustão no topo da montanha” aborda o Burnout mas vai além disso. É um manifesto de reconexão com outro modo de vida menos impregnado da cultura da aceleração e glamourização do cansaço. 

A Exaustão nasce da busca pela alta performance, do alto engajamento, do “trabalhe enquanto eles dormem”, da auto exploração em excesso. Só que ela também chega através do que amamos fazer, da empatia demasiada e do perfeccionismo. Uma máxima que escuto desde cedo em casa, “tudo que é demais sobra”. Nesse caso, tudo que é demais faz extrapolar nossos limites, exige demais da nossa atenção, da nossa alma, de quem realmente somos ou queremos ser. 

Em uma das cartas, a Exaustão diz que quase recebe o nome de Autoengano. Afinal, neste tempo em que vivemos, uma mentira contada através de uma boa narrativa se torna uma verdade quase incontestada. Mas não são apenas mentiras contadas pelos outros. Há as mentiras que contamos para nós mesmos a fim de performar um padrão socialmente aceitável.

O livro tem dez capítulos que vão traçando um caminho arenoso mas com uma linguagem poética. Talvez para nos lembrar de balancear as coisas. De passar por esse caminho difícil ouvindo uma boa música, de vez em quando. E esse caminho chega em um lugar com propostas de: reencontro de si; aceitação de imperfeição; cuidado de si permanente; criação de redes de afeto; e restauração de um pouco de esperança em si e no mundo. 


Algumas citações:

“Você e eu sentimos, muito, pelos atrasos em acolher a própria angústia. Por isso, vamos conversar. É de nós que quero falar, e é com você que quero me abrir. Muito prazer. Meu nome é Exaustão.”

“Porém existir é muito mais do que sobreviver, é alçar um voo sem direção certa, é abraçar a surpresa, é poder viver o encantamento e ser transformado apaixonadamente por ele.” 

“A esperança só pode existir quando as palavras que podem ajudar os demais forem ditas a muitos. Os aprendizados do caminho merecem ser compartilhados, porque o mundo interno que já sentimos como novo é o da colaboração, em que a multiplicação dos afetos em rede é a ponte para o fim das solidões. Os desesperos merecem se desencantar de suas certezas vãs, porque agora eu sei que é passível a qualquer um reencontrar-se com a Esperança.”


Título: A exaustão no topo da montanha: Uma jornada de reconexão com outros ritmos da vida e com o que é essencial 

Autor: Alexandre Coimbra

Editora: Paidós 

Ano de publicação: 2021

Páginas: 192

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